Casal que levava vida de luxo é preso por agiotagem e lavagem de dinheiro no ES; justiça bloqueou R$ 70 milhões em bens
03/02/2026
(Foto: Reprodução) Casal é preso por agiotagem e lavagem de dinheiro em Baixo Guandu
Um casal foi preso na manhã desta terça-feira (3), em Baixo Guandu, no Noroeste do Espírito Santo, por agiotagem e lavagem de dinheiro, em esquemas ligados a fraudes veiculares, jogos ilegais e crimes patrimoniais. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 70 milhões em bens e valores suspeitos movimentados pelo casal e por um grupo criminoso desde 2018.
Durante a operação, batizada de Castelo de Areia, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão nos municípios de Baixo Guandu, Colatina, Serra, Cariacica, Vila Velha e Guarapari, no Espírito Santo, e também em Aimorés, Minas Gerais.
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Os presos foram identificados como Bruno Soares Mendonça, 37 anos, alvo principal da operação e conhecido como "Leite Ninho", e Barbara Alves, 34 anos. O casal estava na casa de luxo onde vivia, em Baixo Guandu. No entanto, a polícia afirma que há outros envolvidos no esquema.
Durante as ações, foram apreendidas três armas de fogo, diversas munições, R$ 42,3 mil em dinheiro, veículos de luxo, como uma BMW X4 avaliada em cerca de R$ 400 mil e uma SW4 blindada, além de joias, celulares e equipamentos eletrônicos.
Também foram recolhidas mais de 1.500 notas promissórias, cheques e documentos financeiros. Dois imóveis de alto padrão tiveram o bloqueio determinado pela Justiça.
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Casal é preso por agiotagem e lavagem de dinheiro em Baixo Guandu, Espírito Santo
Divulgação/PCES
A investigação começou em 2024, após a polícia identificar que o casal ostentava uma vida incompatível com a renda declarada, com imóveis e veículos de luxo.
Segundo a polícia, Bruno não tinha ocupação formal. Já Bárbara dizia ser dona de uma clínica de estética, que, de acordo com a investigação, funcionava como empresa de fachada.
Histórico de envolvimento com o crime
Segundo a polícia, o investigado abandonou crimes violentos, como roubo a banco e roubo de cargas, e passou a atuar em fraudes financeiras estruturadas, com foco na ocultação e dissimulação de patrimônio.
"Ele praticou diversos crimes violentos, como roubo a carga, com restrição de liberdade da vítima. Hoje, a prática dele é mais voltada a crimes menos violentos fisicamente, mas mais agressivos à atividade financeira e à sociedade. Após as práticas ilícitas, ele tentou investir em empresas de fachada e adquirir imóveis e veículos de luxo para dissimular esses valores", afirmou o delegado Anderson Pimentel.
Casal é preso por agiotagem e lavagem de dinheiro em Baixo Guandu, Espírito Santo
Divulgação/PCES
Em 2018, o homem teria liderado o roubo a uma agência do Banco do Brasil, em Guarapari, quando cerca de R$ 600 mil foram levados. Em 2022, chegou a ser preso por esse crime em Vitória, quando estava em um carro na Reta da Penha com um comparsa.
Atualmente, segundo a polícia, o casal passou a atuar em práticas como agiotagem, extorsão e fraudes. Pelo menos dois roubos de veículos teriam sido forjados para o recebimento de seguro. A polícia afirma que Barbara participava ativamente dessas ações.
No esquema de agiotagem, imóveis e veículos eram usados como garantia nos empréstimos ilegais.
Bloqueio de até R$ 70 milhões
Segundo a Polícia Civil, o valor de até R$ 70 milhões corresponde à movimentação financeira considerada suspeita ao longo da investigação, com base em relatórios de órgãos de controle.
"Esse montante representa valores movimentados de forma incompatível com a renda declarada. O valor efetivamente bloqueado só será confirmado após o retorno das instituições financeiras", afirmou o delegado.
O dinheiro poderá, ao final do processo, ser repatriado ao Estado, caso a origem ilícita seja comprovada.
Casal é preso por agiotagem e lavagem de dinheiro em Baixo Guandu, Espírito Santo
Divulgação/PCES
Inquérito segue em andamento
O inquérito apura os crimes de organização criminosa e lavagem de capitais, além de possíveis delitos como falsidade ideológica, fraude contra seguradoras e posse irregular de munição.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos e mapear novas ramificações do esquema.
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