Mais militares, novas bases e terras para os EUA: o que se sabe sobre as negociações envolvendo Trump e a Groenlândia

  • 23/01/2026
(Foto: Reprodução)
EUA estão negociando 'acesso total' à Groenlândia, diz Trump Os Estados Unidos discutem com aliados da Otan uma ampliação da presença na Groenlândia. As conversas, iniciadas na quarta-feira (21), incluem o envio de mais militares, a construção de novas bases e até a possibilidade de áreas do território ficarem sob controle americano. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ▶️ Contexto: A pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a ilha provocou uma escalada de tensões com a Europa nos últimos dias. Trump afirma que precisa da Groenlândia por motivos de segurança nacional e para proteger o Ártico de ameaças da Rússia e da China. O presidente disse que não pretende usar força militar para obter a ilha, mas chegou a ameaçar países europeus com a imposição de tarifas. Diante desse cenário, autoridades europeias afirmaram que a relação com os EUA sofreu um abalo. A Dinamarca, por sua vez, tem reiterado que a soberania sobre a Groenlândia não está em negociação. Uma das ambições de Trump em relação à ilha seria a instalação de uma estrutura para a criação do chamado Domo de Ouro. O sistema militar está sendo planejado pelos EUA para interceptar mísseis lançados contra o território norte-americano. 🔎 Segundo o jornal The New York Times, as conversas dentro da Otan giram em torno de três pontos centrais. Veja a seguir: Atualização do acordo de 1951 entre EUA e Dinamarca: De acordo com a reportagem, aliados discutem um novo pacto que poderia ampliar a presença americana na ilha, incluindo autorização para a construção de novas bases militares. Restrições a países fora da Otan: Os aliados avaliam bloquear o acesso de adversários estratégicos às reservas de terras raras existentes sob o gelo da ilha. A ideia é impedir que China e Rússia explorem minerais na região. Nova missão da Otan no Ártico: Autoridades ouvidas pelo jornal afirmaram que a proposta é vista como uma forma de reforçar a segurança militar na região, diante do aumento da atividade russa e chinesa. Em relação ao primeiro ponto, o New York Times afirma que uma das ideias em discussão seria a entrega de pequenas porções da Groenlândia aos Estados Unidos. Nessas áreas, os americanos teriam controle total, com soberania plena. Em um cenário de acordo nesse formato, essas áreas não poderiam sofrer interferência da Groenlândia nem de países europeus. Na prática, essas porções de terra funcionariam como território americano, o que seria essencial para a construção do Domo de Ouro. Por ora, o governo dos EUA teme que a Groenlândia avance rumo à independência. A ilha já foi autorizada pela Dinamarca a realizar um referendo sobre o tema. Nesse cenário, os americanos avaliam que um futuro governo groenlandês poderia encerrar ou restringir o acordo de 1951, que permitiu a instalação de uma base militar americana na região. Enquanto isso, Trump afirmou na quinta-feira (22) que está negociando o acesso “total e permanente” dos Estados Unidos à Groenlândia. Os termos do acordo, no entanto, ainda não estão claros. “Os detalhes ainda estão sendo negociados. Mas, essencialmente, é acesso total. Não tem fim, não tem prazo”, disse o presidente em entrevista. A Dinamarca voltou a declarar que a soberania sobre a ilha não foi colocada em discussão na reunião. Já o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que a “soberania é uma linha vermelha” nas negociações. “Não podemos ultrapassar linhas vermelhas. É preciso respeitar a integridade territorial, o direito internacional e a soberania”, disse. Europa reage O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial, em 21 de janeiro de 2026 REUTERS/Denis Balibouse A União Europeia afirmou na quinta-feira que vai se defender contra qualquer forma de “coerção” e anunciou planos para ampliar investimentos em segurança no Ártico, incluindo a compra de equipamentos militares adaptados ao ambiente polar. A situação da Groenlândia foi discutida em uma reunião de emergência do bloco. Após o encontro, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que a UE segue aberta ao diálogo com os Estados Unidos sobre temas de interesse comum, mas indicou que o bloco adotará cautela. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que é hora de avançar nos investimentos em segurança no Ártico — região da qual a Groenlândia faz parte — e anunciou um pacote de investimentos para fortalecer as relações da UE com o território. “Devemos fortalecer os acordos de segurança e defesa com parceiros da região, como Reino Unido, Canadá, Noruega e Islândia, entre outros. Isso se tornou uma necessidade geopolítica real para a Groenlândia”, afirmou. VÍDEOS: em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/23/mais-militares-novas-bases-e-terras-para-os-eua-o-que-se-sabe-sobre-as-negociacoes-envolvendo-trump-e-a-groenlandia.ghtml


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