Número de meninas em cursos de tecnologia nas Etecs cai 21% em um ano

  • 17/03/2026
(Foto: Reprodução)
Número de meninas diminui nos cursos de tecnologia integrados ao ensino médio das Etecs O número de meninas matriculadas em cursos de tecnologia integrados ao ensino médio das Etecs ofreu uma queda de 21,2% em um ano. Segundo dados do Centro Paula Souza, instituição que administra as Etecs, havia 11.923 alunas matriculadas em 2024 na modalidade. Em 2025, esse número recuou para 9.392. Enquanto isso, mais de 26 mil meninos estavam matriculados nesses cursos no ano passado. A maior queda proporcional na quantidade de meninas em sala foi no curso de desenvolvimento de sistemas. Em 2024, 48% dos estudantes eram mulheres. Em 2025, as alunas representaram 37% do total de matriculados. No levantamento, foram considerados os cursos de Desenvolvimento de Sistemas, Eletroeletrônica, Eletrônica, Informática, Informática para a Internet, Mecatrônica, Programação de Jogos Digitais e Rede de Computadores. Dentro da sala de aula Geovana Carolina Jesus Pereira, aluna de Desenvolvimento de Sistemas na Etec Parque Belém, conta que o impacto inicial em uma sala com tantos homens quase a fez abandonar o sonho. "Foi muito assustador no começo. Chegar numa sala que tem tantos homens assim me fez querer dar um passo atrás. Eu cheguei até a tentar desistir disso", disse Geovana à TV Globo. A quantidade de meninas matriculadas em cursos técnicos de tecnologia integrados ao ensino médio nas Etecs caiu de 11.923 para 9.392 entre 2024 e 2025. Reprodução/TV Globo Já as ex-alunas Yasmin Pilla e Giovanna Mattar Romariz, da Etec Raposo Tavares, passaram por situações de preconceito durante atividades no curso de Desenvolvimento de Sistemas. “A maioria da sala era meninos e, às vezes, surgem algumas piadas ou comentários desnecessários”, relata Giovanna, que agora cursa Jogos Digitais na Fatec. A técnica afirmou à TV Globo que um aluno disse que ela “deveria cursar administração [curso muitas vezes associado a mulheres], porque tecnologia não é para ela”. Nos trabalhos em grupo, um colega de Yasmin dizia que ela e as outras meninas “deveriam fazer as partes mais fáceis, porque não sabiam programar”. “Eu sei que em aulas de programação erros podem acontecer com todos, mas, quando uma menina erra, algumas pessoas usam nosso gênero para falar esse tipo de coisa”, afirma Giovanna. Mulheres em tecnologia O afastamento das mulheres da área de tecnologia é fruto de barreiras culturais que começam cedo, de acordo com especialistas. A autocobrança feminina e o machismo são fatores determinantes, segundo Aparecida Maria Zem Lopes, doutora em Ciências da Computação e coordenadora de uma pesquisa sobre a presença de mulheres na tecnologia e de um grupo de apoio para mulheres na ciência na Fatec de Jaú, o "Girls in STEM". "Uma das questões que elas respondem é que têm medo de não irem bem em conteúdos relacionados à área de matemática e exatas”, explica a pesquisadora. “Além disso, percebem uma barreira por causa da discriminação da participação das meninas nessas áreas de tecnologia, programação e engenharia". Esse cenário escolar se reflete diretamente no mercado de trabalho. Hoje, as mulheres representam apenas cerca de 30% dos profissionais do setor, segundo pesquisa das instituições PretaLab e ThoughtWorks. Para tentar mudar essas estatísticas, o Centro Paula Souza tem desenvolvido ações específicas, como o projeto "Meninas na Ciência". Segundo André Velasques de Oliveira, coordenador de comunicação da instituição, novas iniciativas estão previstas para 2026. "Teremos trilhas para subsidiar as meninas no desenvolvimento de sua carreira na área de tecnologia", afirma Oliveira. Apesar das dificuldades, alunas como Lara Motta Carneiro Silva seguem determinadas a ocupar esse espaço. "Meu sonho é fazer Engenharia de Software e seguir nessa área de programação e banco de dados. Quero somar com esse número e fazer parte do mercado de trabalho", projeta a estudante. *Sob supervisão de Cíntia Acayaba e Paulo Gomes

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/17/numero-de-meninas-em-cursos-de-tecnologia-nas-etecs-cai-21percent-em-um-ano.ghtml


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