O que são os 'pontos vermelhos' do universo primitivo? Estudo do James Webb traz resposta

  • 15/01/2026
(Foto: Reprodução)
Super telescópio James Webb fotografa, pela primeira vez, um planeta fora do Sistema Solar Os misteriosos “pontos vermelhos” captados pelo Telescópio Espacial James Webb, que intriga­ram astrônomos desde o início das observações do instrumento, finalmente ganharam uma explicação. Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Copenhague concluiu que esses objetos são buracos negros supermassivos jovens, em plena fase de crescimento, escondidos dentro de densos casulos de gás ionizado. A descoberta ajuda a resolver um dos grandes paradoxos da cosmologia moderna: como buracos negros gigantes conseguiram se formar tão rapidamente nos primeiros centenas de milhões de anos após o Big Bang. Segundo os autores, esses objetos são muito menos massivos do que se pensava, o que torna sua evolução compatível com as leis conhecidas da física. Publicado nesta quarta-feira (14) na revista científica "Nature", o estudo analisou dados de alta precisão do Webb e identificou centenas desses pontos vermelhos em imagens do universo primordial. Os pontos vermelhos são buracos negros jovens. Darach Watson/JWST Buracos negros “bebês”, mas vorazes De acordo com os pesquisadores, os chamados "little red dots" são buracos negros com massas que chegam a até 10 milhões de vezes a massa do Sol — pequenos, em termos cósmicos, mas extremamente ativos. Eles aparecem envoltos por um casulo espesso de gás ionizado, que aquece intensamente à medida que é consumido pelo buraco negro. “Os pontos vermelhos são buracos negros jovens, cerca de cem vezes menos massivos do que se acreditava anteriormente, envolvidos por um casulo de gás que eles consomem para crescer”, explica o astrofísico Darach Watson, professor da Universidade de Copenhague e um dos líderes do estudo, em declaração divulgada pela universidade. Esse processo gera radiação intensa, que atravessa o gás ao redor e produz a coloração avermelhada característica observada pelo telescópio. Um quebra-cabeça antigo do universo Antes dessa análise, muitos cientistas acreditavam que os pontos vermelhos fossem galáxias gigantes já formadas muito cedo na história do cosmos — uma hipótese difícil de conciliar com os modelos de evolução do universo. A nova interpretação elimina a necessidade de teorias exóticas para explicar essas observações. Segundo os autores, ao corrigir o efeito do espalhamento de elétrons nas linhas espectrais, as estimativas de massa dos buracos negros caem cerca de 99%, colocando esses objetos em uma fase inicial e transitória de crescimento acelerado. “Capturamos esses buracos negros no meio de um surto de crescimento, em um estágio que nunca havia sido observado antes”, afirma Watson. Metodologia, pontos fortes e limites Os pesquisadores da Universidade de Copenhague analisaram espectros obtidos pelo instrumento NIRSpec do Webb, focando em linhas de hidrogênio e hélio. O diferencial do estudo foi demonstrar que o alargamento dessas linhas não se deve principalmente à velocidade do gás orbitando o buraco negro, mas ao espalhamento de luz por elétrons em um meio extremamente denso. Entre os pontos fortes estão a alta qualidade dos dados do James Webb e a comparação sistemática entre diferentes modelos físicos. Como ressalva, o trabalho se baseia em uma amostra limitada e em inferências indiretas sobre a geometria e densidade do gás, o que os próprios autores apontam como alvo de investigações futuras. Aurora boreal: um espetáculo visto do espaço

FONTE: https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2026/01/15/o-que-sao-os-pontos-vermelhos-do-universo-primitivo-estudo-do-james-webb-traz-resposta.ghtml


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