PM é absolvido por morte de jovem de 17 anos que participava de ‘Festa do Ovo’, em Fortaleza
09/03/2026
(Foto: Reprodução) Policial militar foi absolvido por morte de jovem de 17 anos atingido durante festa de Carnaval
SSPDS/Divulgação
Um policial militar foi absolvido, nesta segunda-feira (9), da acusação de homicídio qualificado pela morte de um jovem de 17 anos que participava da chamada ‘Festa do Ovo’, em Fortaleza. A vítima estava na garupa de uma motocicleta e carregava uma bandeja de ovos quando foi atingida por tiros.
Jackson Lobo da Costa foi inocentado em decisão do Tribunal do Júri, no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. No entanto, o acusado foi condenado a 1 ano de detenção em regime aberto, por cometer um crime de abuso de autoridade.
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Conforme a ação penal, havia indícios de que Jackson modificou a cena do crime, plantando uma arma de fogo perto da vítima para aparentar que ele estaria armado. No entanto, os relatos das testemunhas, incluindo policiais e moradores, não apontaram evidências de que o jovem portava uma arma de fogo.
O policial foi denunciado pelo Ministério Público do Ceará em abril de 2022. O caso ocorreu em fevereiro de 2021, na rua Betel, no bairro Itaperi.
Durante o processo, a família do adolescente foi acompanhada pela Defensoria Pública do Ceará, por meio da Rede Acolhe. A Defensoria também entrou com ação de reparação de danos em desfavor do Estado.
Relembre o caso
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O jovem participava de uma celebração chamada de ‘Festa do Ovo’, durante o Carnaval. Na versão de testemunhas, a vítima e um amigo participavam da brincadeira em evento realizado por moradores da comunidade. Desde o dia anterior ao caso, a dupla fornecia ovos para alguns moradores da região jogarem uns nos outros.
Conforme os relatos, eles estavam em uma motocicleta quando avistaram um carro da polícia e resolveram desviar, pois estariam com uma motocicleta de outra pessoa, trafegando sem capacetes e a devida documentação.
Ainda segundo testemunhas, os policiais perseguiram a motocicleta e efetuaram disparos sem ter realizado voz de parada ou acionado a sirene.
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O jovem foi atingido por um tiro na região dorso-lombar e morreu por lesão do rim esquerdo e coração, conforme laudo cadavérico.
Versão dos policiais
Em versão inicialmente apresentada pelos policiais, eles afirmaram ter abordado a dupla na motocicleta porque eles estariam trafegando em alta velocidade.
Conforme estes relatos, os jovens teriam desobedecido a ordem de parada e, após 800 metros de perseguição, o garupeiro teria apontado uma arma de fogo para a viatura policial, o que teria motivado o policial militar a reagir e disparar contra o suposto agressor.
Logo em seguida, os policiais teriam determinado que os ocupantes da motocicleta desembarcassem. Porém, a vítima teria dito que não conseguia e teria caído ao solo. O adolescente foi levado pela polícia a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não sobreviveu.
Na denúncia do Ministério Público contra Jackson Lobo, o órgão apontou que a versão dos policiais não correspondia com os fatos apurados durante a investigação.
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