Trump cogita adiar viagem à China e insiste na ajuda de Pequim para abrir o Estreito de Ormuz

  • 16/03/2026
(Foto: Reprodução)
Novo líder supremo do Irã diz que Estreito de Ormuz seguirá fechado O presidente Donald Trump sugeriu que pode adiar sua viagem à China no final do mês, enquanto busca aumentar a pressão sobre Pequim para reabrir o Estreito de Ormuz e acalmar os preços do petróleo, que dispararam durante a guerra com o Irã. Em uma entrevista ao 'Financial Times' neste domingo (15), Trump disse que a dependência da China do petróleo do Oriente Médio significa que ela deveria ajudar na nova coalizão que ele está tentando montar para colocar o tráfego de petroleiros em movimento pelo estreito. Trump disse que "gostaríamos de saber" antes da viagem se Pequim ajudará. "Podemos adiar", disse o presidente na entrevista. O cancelamento da visita presencial com o presidente chinês, Xi Jinping, pode ter suas próprias consequências econômicas. Já que as relações entre Washington e Pequim têm sido tensas e ambos os lados se ameaçaram mutuamente com tarifas acentuadas ao longo do último ano. Trump e Xi Jinping se encontram em Busan, na Coreia do Sul, nesta quinta-feira (30). Reuters/Evelyn Hockstein Os novos comentários de Trump surgiram no momento em que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, se reunia com o vice-premiê chinês, He Lifeng, na segunda-feira, em Paris, para uma nova rodada de negociações comerciais que preparariam o caminho para a viagem de Trump a Pequim. Os EUA e a China declararam uma trégua, mas os riscos permanecem altos. Nos primeiros dias do conflito no Irã, Trump havia dito que navios da Marinha dos EUA escoltariam os petroleiros pelo estreito e minimizou a ameaça representada pelo Irã. Mas, com a disparada dos preços do petróleo, ele e seu governo foram forçados a considerar novas opções. LEIA TAMBÉM Donald Trump diz que negociações com Cuba continuam e que uma ação pode ocorrer após o Irã Neste fim de semana, Trump pediu que outros países se juntem ao esforço com seus próprios navios de guerra. Até agora, nenhum atendeu formalmente ao chamado. Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse à CBS que Teerã foi “procurado por vários países” que buscam passagem segura para seus navios e que “cabe às nossas forças armadas decidir”. Segundo ele, um grupo de embarcações de “diferentes países” já foi autorizado a passar, sem dar detalhes. O Irã afirmou que o estreito — por onde normalmente passa um quinto das exportações globais de petróleo — está aberto a todos, exceto aos Estados Unidos e seus aliados. Araghchi acrescentou que “não vemos razão para conversar com os americanos” sobre uma forma de encerrar a guerra, afirmando que Israel e os EUA iniciaram os combates com ataques coordenados em 28 de fevereiro durante negociações indiretas entre EUA e Irã sobre o programa nuclear iraniano. Ele também disse que Teerã “não tem planos de recuperar” o urânio enriquecido que ficou sob escombros após ataques dos EUA e de Israel no ano passado. Trump disse aos repórteres a bordo do Air Force One, enquanto retornava a Washington após um fim de semana na Flórida, que os EUA haviam conversado com "cerca de sete" nações sobre o oferecimento de apoio militar. Ele não disse quais e esquivou-se quando foi questionado diretamente sobre a China. Porém, ele chegou a sugerir posteriormente que havia feito tal oferta a Pequim. “A China é um estudo de caso interessante", disse ele, observando sua dependência do petróleo do Golfo. "Então eu disse: ‘Vocês gostariam de participar?’ e descobriremos. Talvez eles participem, talvez não.” A guerra no Irã fez o preço do petróleo disparar, o que elevou o preço que os americanos pagam nas bombas de combustível, justamente quando a temporada eleitoral de 2026 começa a esquentar. A China, no entanto, tem enfrentado suas próprias pressões econômicas e recentemente reduziu sua meta de crescimento para 4,5% a 5%, a projeção de crescimento mais lenta desde 1991. Antes de Trump sugerir o cancelamento potencial de sua viagem, um porta-voz da embaixada chinesa em Washington não se comprometeu com o apelo de Trump por ajuda externa no estreito. “O Estreito de Ormuz e as águas próximas são uma rota importante para o comércio internacional de mercadorias e energia. Manter a região segura e estável serve aos interesses comuns da comunidade internacional", disse o porta-voz. "Todas as partes têm a responsabilidade de garantir um fornecimento de energia estável e desimpedido." O porta-voz acrescentou: “Como amigo sincero e parceiro estratégico dos países do Oriente Médio, a China continuará a fortalecer a comunicação com as partes relevantes, incluindo as partes em conflito, e desempenhará um papel construtivo para a desescalada e a restauração da paz.”

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/16/trump-cogita-adiar-viagem-a-china-e-insiste-na-ajuda-de-pequim-para-abrir-o-estreito-de-ormuz.ghtml


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